Certo é que ali onde o gesto simples, coração generoso e olhar
sorridente (sorria com os olhos) fizeram deslizar das mãos santas, rumo à terra, miúdas
sementes, surgiram e tem frutificado todos os anos as melancias.
Por que melancias ? Falariam mais alto ramas apegadas ao chão, à
humildade e segredos da terra, à discreção da sabedoria e depois explosão de frutos
suculentos, tal como no convívio conosco, suas palavras simples e sábias, sua calma
benfazeja, tanto alento nos trazia ?
Ao toque e ao sabor desses frutos associo a simbologia das cores: o verde
claro resgatando a luz do olhar e a transparência daquele ser. O vermelho intensificando
o amor que embasava o convívio carinhoso e o negro das sementes, promessas de nova vida
para a escuridão que muitas vezes associávamos a um futuro incerto e tantas vezes, ele
nos fez sonhar, a acreditar e realizar diferente.
E nessa efusão de verde, vida e frutos, me perco imaginando a
trajetória desse amigo de volta à casa do pai. Rumo ao infinito, ao encontro de Deus,
deixava atrás de si milhares de pontos de luz que se misturavam às estrelas de junho (e
dos namorados), sinalizando aos amigos onde encontrá-lo com o coração e não perder o
seu convívio.
No céu de Deus e ao lado dEle, sorriso tranqüilo (principalmente com os
olhos), a voz baixa e calma, dirige-se ao filho:
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Como as minhas melancias,
espero que as sementes do amor e da esperança, do agir na alegria e simplicidade,
germinem e venham até nós, sinal de que estivemos e ainda estamos por lá e com eles.
Minhas melancias confiaram e responderam ao carinho do semeador. |
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Ali, respondeu o Mestre,
não houve passarinhos. O terreno não era pedregoso, o sol não queimou as raízes, os
espinhos não sufocaram as plantas. Quem tem fé que acredite. |
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Parabéns pela sua magia.
Você, Oliveira, dois mil anos depois, foi um grande semeador ! completou o Pai. |
E a sorrir abraçaram-se os três, num passeio único pelo Reino...
Maria da Conceição Carvalho
Barros
Rio Piracicaba/MG - 27.11.99 |